Nunca acreditei na famosa história do primeiro amor. Tal como da primeira foda.
Nunca percebi as pessoas que diziam "mas ele foi o primeiro, com ele vivi tudo... Nunca mais vou gostar de ninguém".
Achava descabido e, sem querer parecer prepotente, achava fraqueza. Afinal ficavam presas a que? À pessoa?! Ao momento?! À pessoa não seria certamente, porque ninguém se torna insubstituível de repente (embora a nossa cabeça nos queira garantir que sim), e os momentos não acabam no primeiro amor.
Juro que me esforcei para compreender.
Claro que também deitei as minhas lágrimas lamechas de o-mundo-vai-acabar quando acabei com o first love, também achei que era difícil nunca mais o ver (infelizmente nunca mais será possível vê-lo), mas daí a refazer a minha vida foi um bafo! Diziam "Eishh, primeiro namorado a sério...vai custar-te bué".
Sempre me ri dessas afirmações porque, para mim, o sexo só prende duas pessoas extra-momento no dia em que um espermatozóide fecunda um óvulo.
Até que tive algo parecido com um déjà vu, já não sei despertado porque.. E comecei a entender.
Se calhar não falavam de momentos, mas de emoções.
Da desprotecção que sentimos a primeira vez que nos despimos perante alguém, o risco de não se saber o que é normal fazer ou dizer (porque simplesmente nunca se fez!), o 'é agora', os arrepios na barriga em pensar como seria o primeiro beijo, os ensaios com as amigas ou com os espelhos (e quem não treinou fez bem mal.. Quando chegou a hora já éramos prós!), a ansiedade de não perceber porque é que o coração batia tão rápido e as cuequinhas ficavam molhadas.. a felicidade estampada no rosto..
A felicidade inocente. A única que se pode sentir.
Hoje senti que os momentos são facilmente repetidos, que a nossa cabeça é capaz de nos fazer amar, sentir intensamente, viver o "tal amor de cinema", repetir os momentos mais vezes e melhor, com alguém melhor até, que somos capazes de esquecer num dia e voltar a amar no outro...
Até o dia que alguém nos bate à porta e pergunta:
-Para quê?
lulu